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Hepatites Virais: O Que São, Como Ocorre a Transmissão e Quando Procurar Avaliação Médica?

As hepatites virais são doenças causadas por vírus que atacam o fígado e provocam inflamação. Em muitos casos, a infecção pode passar despercebida durante anos, sem causar sintomas, o que torna o diagnóstico precoce fundamental para prevenir complicações.

Milhões de pessoas em todo o mundo convivem com hepatites virais sem saber que estão infectadas. Felizmente, atualmente existem tratamentos altamente eficazes e, em alguns casos, vacinas capazes de prevenir a doença.

 

O que são as hepatites virais?

O termo "hepatite" significa inflamação do fígado. Entre as diversas causas possíveis, os vírus são responsáveis pelas hepatites virais, sendo os principais:

  • Hepatite A

  • Hepatite B

  • Hepatite C

  • Hepatite D

  • Hepatite E

No Brasil, as hepatites B e C são as que apresentam maior potencial de evolução para doença hepática crônica, cirrose e câncer de fígado.

Quais são os sintomas?

Muitas pessoas não apresentam sintomas, especialmente nas fases iniciais da doença.

Quando presentes, os sintomas podem incluir:

  • Cansaço excessivo

  • Náuseas e vômitos

  • Falta de apetite

  • Dor ou desconforto abdominal

  • Febre

  • Urina escura

  • Fezes claras

  • Pele e olhos amarelados (icterícia)

A ausência de sintomas não significa ausência de doença. Por isso, a realização de exames é tão importante.

 

Como ocorre a transmissão?

Hepatite A

A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Está relacionada a condições inadequadas de saneamento e higiene.

Hepatite B

Pode ser transmitida por:

  • Relações sexuais sem preservativo

  • Compartilhamento de objetos perfurocortantes

  • Contato com sangue contaminado

  • Transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou parto

Hepatite C

A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado. Atualmente, a transmissão sexual é menos frequente, mas pode ocorrer em situações específicas.

 

Hepatite tem cura?

Depende do tipo de vírus.

Hepatite A

Geralmente apresenta cura espontânea e não evolui para doença crônica.

Hepatite B

Embora nem sempre seja possível eliminar completamente o vírus, existem tratamentos capazes de controlar a infecção, reduzir a inflamação hepática e prevenir complicações.

Hepatite C

Hoje é considerada uma das grandes histórias de sucesso da medicina. Os tratamentos modernos apresentam taxas de cura superiores a 95%, geralmente com medicamentos orais utilizados por poucas semanas.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio de exames de sangue específicos que identificam a presença do vírus ou marcadores da infecção.

Após a confirmação do diagnóstico, é fundamental avaliar se houve algum grau de lesão hepática.

Nesse contexto, a elastografia hepática tornou-se uma ferramenta extremamente importante. Trata-se de um exame não invasivo, semelhante à ultrassonografia, que mede a rigidez do fígado e permite estimar a presença de fibrose ou cirrose.

Qual a importância da elastografia nas hepatites virais?

Além de auxiliar no diagnóstico inicial, a elastografia hepática desempenha um papel fundamental no acompanhamento dos pacientes com hepatite B e hepatite C.

Durante muitos anos, a biópsia hepática foi considerada o principal método para avaliar o grau de lesão do fígado. Atualmente, a elastografia permite essa avaliação de forma rápida, indolor e não invasiva, tornando-se uma das ferramentas mais importantes da hepatologia moderna.

Nas hepatites virais, a elastografia é utilizada para:

  • Avaliar a presença e a gravidade da fibrose hepática no momento do diagnóstico;

  • Identificar pacientes com risco de cirrose;

  • Auxiliar na definição da necessidade e da urgência do tratamento;

  • Monitorar a evolução da doença ao longo dos anos;

  • Avaliar a resposta ao tratamento antiviral;

  • Auxiliar na estratificação do risco de complicações hepáticas.

Nos pacientes com hepatite C, mesmo após a cura virológica, a elastografia continua sendo importante para acompanhar aqueles que já apresentavam fibrose avançada ou cirrose, uma vez que o risco de complicações hepáticas pode persistir.

Na hepatite B, a elastografia é especialmente valiosa porque permite monitorar a progressão da fibrose ao longo do tempo, ajudando a identificar pacientes que necessitam de tratamento ou de vigilância mais intensiva.

Por ser um exame seguro, reprodutível e sem exposição à radiação, a elastografia pode ser repetida periodicamente, permitindo uma avaliação dinâmica da saúde do fígado sem desconforto para o paciente.

Atualmente, as principais diretrizes internacionais recomendam a elastografia como um dos métodos de primeira linha para avaliação e seguimento dos pacientes com hepatites virais crônicas, reduzindo significativamente a necessidade de procedimentos invasivos como a biópsia hepática.

Quais são as possíveis complicações?

Quando não diagnosticadas ou tratadas adequadamente, especialmente as hepatites B e C, podem ocorrer:

  • Fibrose hepática

  • Cirrose

  • Hipertensão portal

  • Insuficiência hepática

  • Câncer de fígado

O risco aumenta quanto maior for o tempo de infecção sem tratamento.

 

Quem deve fazer o teste para hepatites virais?

O rastreamento é recomendado para:

  • Pessoas que receberam transfusão sanguínea antes da implantação dos testes modernos de triagem

  • Profissionais da área da saúde

  • Pessoas com múltiplos parceiros sexuais

  • Usuários de drogas injetáveis ou inaladas

  • Familiares de portadores de hepatite B

  • Gestantes

  • Pessoas com alterações persistentes dos exames do fígado

Além disso, muitas sociedades médicas recomendam que todos os adultos realizem pelo menos uma vez na vida a pesquisa para hepatite B e C.

As hepatites podem ser prevenidas?

Sim.

Algumas medidas importantes incluem:

  • Vacinação contra hepatite A e hepatite B

  • Uso de preservativos

  • Não compartilhar objetos cortantes ou perfurocortantes

  • Utilização de materiais esterilizados em procedimentos médicos, odontológicos e estéticos

  • Cuidados adequados com higiene e saneamento

Quando procurar um hepatologista?

A avaliação especializada é importante para qualquer pessoa com diagnóstico de hepatite viral, alterações persistentes nos exames hepáticos ou fatores de risco para infecção.

Com os avanços atuais, a maioria dos pacientes pode ser acompanhada de forma segura e eficaz. O diagnóstico precoce, associado à avaliação da fibrose por elastografia e ao tratamento adequado, permite prevenir complicações graves e preservar a saúde do fígado por muitos anos.

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© 2020 por Pigup comunicação. 

Dra. Lívia Carone

Hepatologia e Elastografia

CRM 10760 |  RQE 6416 | RQE 6415

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